Praticamente desativada desde o projeto do avião de combate AMX, a cooperação entre Brasil e Itália na área da defesa volta a ter um impulso
Entre os diversos acordos firmados por ocasião da visita do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e comitiva, à Itália, um dos mais relevantes foi assinado entre os ministros da Defesa dos dois países, Nelson Jobim e Ingazio La Russa, no âmbito da cooperação em Defesa. De acordo com o documento, a cooperação se dará com base nos “princípios da igualdade, da reciprocidade e do interesse mútuo”, nas respectivas legislações nacionais e nas obrigações internacionais assumidas pelos dois países. Será criado um grupo de trabalho conjunto para coordenar as atividades de cooperação.
Uma das experiências mais bem sucedidas na cooperação de defesa entre os dois países, foi o desenvolvimento do avião AMX, batizado como A1 na Força Aérea Brasileira. A partir dessa experiência, a parceira brasileira no projeto, a Embraer, capacitou-se a desenvolver aviões a jato, passando a ocupar um novo patamar na aviação civil mundial.
No acordo de cooperação assinado hoje, são citados os seguintes temas de cooperação, entre outros: políticas de segurança e Defesa; pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico e aquisição de produtos e serviços de Defesa; conhecimentos e experiências adquiridas no cumprimento de operações internacionais de manutenção de paz; instrução e treinamento militar; questões ambientais e poluição causada por atividades militares; serviço de saúde militar; história militar; desporto militar; e outras áreas no domínio da Defesa que possam ser de interesse mútuo para as partes.
A cooperação se dará mediante visitas mútuas de delegações; intercâmbio entre especialistas, instrutores e estudantes; participação em cursos e seminários; participação em exercícios militares e visitas a navios e aeronaves militares; e intercâmbio cultural e desportivo, entre outros.
Também está prevista a cooperação na área de indústria de Defesa e de política de aquisição, pesquisa, desenvolvimento de armamentos e equipamentos militares. Essa cooperação poderá se dar em pesquisa científica, teste e projeto; intercâmbio de experiências no setor técnico; produções mútuas, modernizações e serviços técnicos nos setores determinados pelas partes; aquisição de equipamentos militares, entre outras formas.
O texto determina ainda que “A mútua aquisição de materiais de interesse para as respectivas Forças Armadas será regida sob este acordo e poderá ser implementada por meio de operações diretas Estado-Estado ou por meio de empresas privadas autorizadas pelos respectivos Governos, conforme as respectivas legislações e regulamentos nacionais”. O acordo não tem prazo previsto para expirar.
Para lembrar
O AMX foi desenvolvido em 1982 como um avião de ataque e bombardeiro que substituísse na força aérea italiana os velhos Fiat G-91 nas funções de ataque e de reconhecimento. O Brasil já estava precisando de um avião de ataque para ocupar o lugar dos inceficientes Xavantes e acabou por aproveitar a oportunidade de participar do desenvolvimento do AMX com as empresas italianas Alenia e Aermacchi, para adquirir um avião com mais eficiência e que permitiria ao Brasil absorver a tecnologia e o know how na construção de aviões de combate modernos. Obviamente que a empresa brasileira que entrou no programa foi a Embraer, que aproveitou os conhecimentos vindos desse programa de desenvolvimento para melhorar sua capacidade de gerir projetos e de produção de sistemas de vôo e que foram usados no avião comercial EMB 145, o maior sucesso comercial da empresa e o mais vendido avião de transporte regional, na categoria de 50 passageiros.
Em 1999 o caça AMX teve seu batismo de fogo sob os céus da Europa sob a operação força aliada empreendida pela OTAN para acabar com a opressão da Servia sobre Kosovo. O AMX apresentou uma disponibilidade, dirante aquela operação, de 99,5%, um fato extremamente positivo, dado, esse, superior aos vistos em outras aéronaves mais "populares" como o F-16, por exemplo. Além disso, o pequeno avião, conseguiu destruir alvos num território relativamente bem defendido, sem ser importunado, e sem nenhuma baixa, e com um nivel de precisão que fez com que o nome deste avião, fosse comemorado pelos Italianos, que até aceleraram a programa de modernização dele, graças ao bom desempenho, fazendo com que o AMX fique em operação naquela força, mais tempo, do que se previa. (Campo de Batalha Aérea)